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O jorro.

Sinto um aperto desconcertante dentro de meu peito, algo me falta neste espaço que cabe o tamanho de uma mão e mesmo assim não posso chorar... não tenho mais tempo. sinto-me sozinho nesta multidão de vai-e-véns pra todos os cantos do mundo de além do Bojador, somente o abismo profundo. Aviso logo que a melancolia não pode ser lida e nem dita, ela me faz pensar no monólogo da vida de um forma distinta e irreparável. Minha dor é muito pequena não pode ser vista e nem expressa em palavras. Um poço de dicotomias e inverdade, um misto de embaraço com desilusão. De que vale a vida? de que valeria a morte, se lhe faltasse um suspiro. Sinto falta de algo que não me faz falta. Não é um corpo qualquer. Não um espírito ou um sujeito que se evade de si mesmo para fora. apenas lá fora. apenas fora de lá, um frio que passa e fica.. fica. fica. fica. fica frio.ooo... meus dentes já tocam um ao outro. sinto minha carne se desfazendo entre lágrimas nunca choradas. Tenho saudades do que perdi, tenho sau...

F.T. e a teoria das esferas.

A tarde está muito quente hoje, mesmo assim dou-me ao luxo (que lixo) de dedicar um verso as nossas conversas. Eu não sei se conseguirei ao final deste texto, utilizar as palavras certas quando tiver que falar sobre tu. A gramática está cheia regras rígidas, não há como não resumir em "cem milhões de versos" que te fiz a regra nada rígida sobre o jogo de gostar de você. A convivência encobre minha ausência minúscula. As letras de teu nome são expressões númericas. Números nada complexos de se viver uma ausência necessária. Ah! Tales que de Mileto para mundo ocidental, nos legou seus teoremas e filosofemas. Um verso que estava escondido acabou de jorrar de meus dedos frios. "Em cima da cadeira só vejo sua ausência Abaixo de tua presença um sonho e uma realidade inalcansável. Um beijo nunca dado em sua boca. Uma boca que invento sempre beijos no fim da madrugada. Um trecho poético sem nexo. Um devir irremediável de tê-la em braços. Uma dor singular de sua presença sem ao ...

Everson: O escritor maldito

I.D. É assim que começa o verso de outrora no qual a poética se desprende de meus tecidos pouco nervosos. Eu sempre apareço como criador e criatura de versos (quase sempre) sem nexo, parece que só eu entendo o que escrevo. Costumo ficar invejado quando leio alguém que com palavras tão simples consegue expressar sentidos e sentimentos tão difusos ao conhecimento do senso comum. Invejo aqueles que escrevem com a leveza e a simplicidade do porte de um certo Diego Mendonça, as vezes com sinais tão poucos sinuosos consegue imprimir dor e alegria num gesto de pura dissimetria. Fui acusado de ser melancólico. Fui elencado entre os que deviam ser combatidos para que os jovens não pudessem ler o que escrevo. Meu sangue foi varrido das faces que a terra criou a milênios adiante. Dizem que escrevo minhas letras entre os corpos em putrefação, onde o verme já saqueia as visceras soturnamente. Quando escrevi o verso infantil intitulado "Sobre o verso da dor", me disseram que eu havia escri...

Prazer em conhecê-la.

R. Érika. pintei uma tela barroca sua e esqueci de guardá-la em lugar seguro. Acordei e descobri que havia sido roubado de meu leito de sono... Como poderia alguém ser capaz de tamanha maldade contra minha individualide? Fiquei triste, mas esqueci daquela tela pintada em tempos de paz. Daí veio a guerra. Fui convocado para fazer parte do corpo militar de meu país e eu que nem sabia manusear uma arma, me vi meneado por sangue, retalhos de corpos jogados ao chão e envenenado pelos subúrbios do absurdo. Absurdo como em Camus? Acho que era quase isso. Eu fui atingido no lado esquerdo do peito. Apaguei. a consciência se foi. fui naturalizado pela morte. quando acordei eu já era outra coisa. eu não sabia mas tinha me transformado numa partícula disforme e amorfa. Chorei e pela primeira vez rezei. Quando acordei estava no meio de uma história que nem Lewis Carroll haveria de inventar, nem Alice e seu inseparável coelho que usava um relógio muito louco teriam imaginado. Estava pincelando algum...

Iara e a pequena.

Aos meus filhinhos da 1ª série do Ensino Médio na qual os tenho todos em meu coração que é de carne, dedico este verso (uma brincadeira) sobre o pequeno de Iara. Pasmem Iara utiliza sempre a palavra "pequeno" pra se referir a tudo nesta vida, vejamos algumas que eu já ouvi. professor! deixa eu tomar aquela "pequena" água? e eu respondo: Tome sua "pequena" água rápido, pois uma "pequena" tarefa te espera, tá bom "pequena" Iara?!... Nestes dias Ana Carla, que por sinal é uma "pequena" menina, me pediu pra ir aquele "pequeno" banheiro, e eu pensei: Que os deuses me perdoem, onde fica este "pequeno" banheiro? Fica numa casa de boneca? O que é tão pequeno assim? Vejamos as "pequenas" pérolas científcas de meus ilustres filhinhos: Uma aluna escreveu assim na prova de história(bem na última questão): "Não sei, não consigo nem pensar e minha cabeça tá doendo por causa de filosofia e minha mão tá doen...

So(PH)ia

Sempre (acho exagerado) fui apaixonado por filosofia na minha vida. Ser feio tem dessas. Nos dedicamos mais ao mundo das letras e até buscamos nos entender. Até hoje isso foi impossível pra mim. Mas assim caminha a humanidade. O sirene tocou. Tenho que voltar pra minha sela. O romântico perdeu a voz. Eis aqui a questão de hoje: Entender psicologia vai me ajudar a entender de sofia? Um PH? ou sem o PH? E minha saga continua

Hoc est meum.

Escrever é um ato sem regras. A gramática feminiliza as relações agraciadas por uma escrita sinuosa e sem tensões. Estou escrevendo agora, pois não tenho o que fazer. Está escuro aqui de onde estou. Meus pensamentos parecem tão perdulários diante da fraqueza de minhas pernas. Não posso e não quero alçar voos mais longos, deixo isso para o menino que algum dia pensou que podia mudar, mas ele não conseguiu nem mudar seus hábitos antiquissimos. Nunca fui muito bom com as letras. Um exegeta esquecido. Um deus dentro de mim, parece despertar e que dizer ao seu íntimo o quanto seu egoísmo tirou-lhe a alegria de viver. Dói muito ter perdido meu sonho naquela madrugada. Dói essencialmente meus pés. Dói como se repete aquela dor. Uma melodia com staccatos. Um contraponto. Um fim melancólico e sem graça, como naqueles filmes em que se espera tanto e no final nunca acontece nada. Baixo a minha guarda... Sou apenas quem eu sou. Fecho-me agora a todos. Como Descartes algum dia desses disse pra mim....