Postagens

Homenagem a Diego pelo aniversário.

Certa vez meu amigo Diego me disse que “poesia é pouca letra para muito papel”, confesso que na época não entendi muito bem, e agora depois de alguns anos, continuo não entendendo. Não porque não queira, mas sobretudo porque não quero compreender. Nem a frase e nem Diego. Por que entender quem não pode ser compreendido? Saborear Diego em sua ausência é quase uma masturbação de saudade, repetindo sempre as conversas e vivências passadas, reiteradas quando a memória vem á tona, e acabo eu, quase sempre, enchendo, metaforicamente, o saco da minha esposa Giselen, com bobagens que para ela, são meramente palavras ao vento. Muitos dizem que alguns só se recordam dos amigos no dia do seu aniversário, penso que isso é uma inverdade, pois até hoje não sei direito qual o dia do aniversário do meu amigo Diego, e para não errar, acho que é todo dia. Mesmo no meu silêncio imposto pelo trabalho, pela ausência, até hoje sentida, pelo parto que ainda está por vir, escolhi este dia qualquer para h...

Versinho para Sophia

Um versinho bem pequenininho para a menina Sophia., Um beijinho assaz molhadinho para a garotinha que assobia, Um agradinho bem rapidinho para a sapequinha que corre para a escola, lia, Um jeitinho sincero para o retorno da guerreira segura, valei-me minha virgem Maria, só ria. Abraço tortinho, que nem afaga mas conforta, coração que bate apertado enquanto menininha não chega, espia. Saudadezinha pequena, da árvore/prédio que me assusta, viro um samurai quando ia a menininha Sophia subir por lá. Vê se não cai! Versinho que se repete para caber no papel, um coraçãozinho que bate apressado, aguardando a hora esperada. Phiinha como diz meu pai Antônio, Sufia como diz minha mãe Nilva e Só filha como pensamos eu e Giselen,  Do tamanho da basílica turca da Hagia Sophia, um versinho batidinho com leite e chá, igual ao da vovó Varinta que até me dá assim uma preguiçazinha de terminar esse... Versinho para Sophia. Escrito em 05/06/2014 às 17h33 Está um sol...

Diário de um futuro papai: Um vestido para Sophia.

Uma leve brisa resfolegava no rosto da menina Sophia, tarde para sonhar com carinho e cedo para lembrar-se da tarefa da escola. Não tem jeito essa menina, fica andando de lá para cá, serelepe como sempre, nasceu assim, entre brincadeiras e balas de coco, era só assim que ela sabia ser feliz. Mas um belo dia, algo mudou a vida de Sophia, caminhava, como não fazia há tempo, pelo fundo de seu longínquo quintal materno, ia com medo de escorregar e cair. Esfolar o joelho doía muito e mesmo com a especialidade para curar meninas de sua mãe chamada Neve, isso seria muito torturante. Ai! Já pensava Sophia. Enquanto isso a árvore mais alta do universo, que dobrava a esquina de tão grande, ia caminhando ao lado de Sophia, como se soubesse que algo iria acontecer, como se antecipasse ao milagre da vida. E Sophia, como uma desbravadora de tesouros de algodões doce, apenas sorria para o Pássaro Viajante que a advertia sobre andar sobre os sonhos de outras crianças, mesmo assim Sophia nem ligav...

Diário de um futuro pai: Eu, pai de uma menina: E por falar em Sophia...

Bom escrever para você não está sendo uma das tarefas mais fáceis na minha vida, talvez eu até nem consiga chegar ao final, mesmo assim prometo um esforço descomunal, somente para falar com você, Sophia Maleski de Castro, que ainda não sabe me chamar de pai, mas tenho certeza que sua sensibilidade já deve ter compreendido o quanto eu e sua mãe te esperamos. Primeiramente Sophia, digo que a primeira vez que a vi, você, apenas um conglomerado de células bem juntinhas, ainda coladas na parede do útero de sua mãe, foi uma decepção enorme para mim, algo sem precedentes na minha história. Calma, sem prejulgamentos. Eu já explico a “decepção”, continue lendo. Mesmo sendo um curioso irrepreensível, eu previamente fiz uma avaliação: Certo, nós vamos fazer a primeira ultrassom, daí a criança vai estar lá, corpo formado, cabeça, digitais e tudo que um ser humano tem direito! Não! Idiota! Não diga besteiras! Na verdade, não disse nada para ninguém. Depois confesso que deu muita vergonha per...

Diário de um futuro pai: Da concepção ao primeiro banho.

Pela primeira vez na vida senti que passei no vestibular pela segunda vez, pode até ser uma redundância proposital ou mesmo uma simples metáfora que abarque a grandeza da minha alegria. Enquanto escrevo este texto, tento decidir ser escreverei em primeira pessoa, aos meus amigos e familiares, ou até mesmo em tom de conversa entre pai e filho ou filha. Por isso, se você ficar entendiado com esta leitura, desista, pois minha intenção é unicamente falar sobre carinho, amor, paternidade/maternidade compartilhada, sonho, algodão doce, balão de gás solto no ar, a primeira maça do amor na festa da escola, o primeiro toque, o primeiro beijo, o primeiro cheiro nunca esquecido, o espaço único do desejo, a geladeira onde não havia água, a coca-cola que eu nunca tomei, o medo da chegada do outro, o encontro com o outro quando apenas houve um balançar de cabeça, o anel que custou R$ 0,50, a notícia dada a família, o choro de alegria da minha mãe, a música que inventei pra ser nossa, os 25 milhões ...

Merendinha

Havia uma varanda naquela casa, minha avó Varinta deitada na rede, quarto. Vejo que o tempo passa em tardes melodiosas, o cheiro do passado reflete no quadro do meu avô que mira e anda por minhas lembranças não vividas. O barulho da rede dela faz assim algo do tipo que ensurdece minha solidão de menino, mesmo assim me sinto seu único neto, me sinto mais ainda, seu único filho. Na varanda uma cadeira com os punhos já velhos, não balança mais, minha avó não senta mais lá, não porque não quer, não porque não pode, mas porque rede é coisa sagrada, lugar do sono ribeirinho, de tardes que eram passagem de vida. Na geladeira já velha pego uma banana, e como. O almoço no horário sempre fiel, o relógio da minha avó é diferente, adianta e atrasa, e atrasa e adiante. Seu sono velho era marcado pelo vai e vem da rede, não havia preocupação ali, a única a existir era ela. E eu na sala assisto algo sem importância, ou escrevo talvez algo que deveria ter dito, e tive medo. Eu penso que minha ...

NOSTALGIA por Orlani Meireles Aguiar quando fores grande.

Este texto não foi escrito por mim, quem dera ter sido eu o arquiteto literário desta prima donna  da simplicidade rimada e juvenil, enfim, transcrevo na íntegra "Nostalgia", um ensaio genial para o escritor que algum dia pretendo ser. Se delicie, e conceda todos os direitos reservados para meu amigo escritor Orlani M. Aguiar, foi ele quem sonhou, viveu e escreveu em seu lapso nostálgico dos tempos da infância que nunca se acabaram. Nem um ponto final, correção gramatical ou vírgula foi acrescentada ao texto original. NOSTALGIA Em um momento nostálgico me senti de volta ao mundo mágico Ouvi um pássaro cantando e o seu canto me trouxe um sentimento de espanto Me espantei com o barulho da panela de pressão que minha mãe preparava o feijão Achei que ia aco rdar depois das oito e iria encontrar uma mesa farta de biscoito Acompanhado de um pé de moleque cor de ouro, banhado na cabeça de touro O cheiro do café feito na hora, logo depois ouvi meu irmão dizer “vambora” “Vambora” ...