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Banho de Memórias: Nasceu Sophia

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Querida Sophia, ora filha, mais tarde, bem mais tarde, também mãe, namorada, cortejada, protegida, etc, etc, já se passaram 40 dias de seu nascimento na Maternidade Regina Pacis e aguardo você aniversariar dia 09/10/2014 com seus longos 2 meses de vida. Reclamo-te que para minha surpresa, fui critica veementemente por sua mãe, por não ter escrito um mínimo texto sequer, em comemoração ao seu nascimento relembrado.  Peço-lhe desculpas pelo meu deslize, mas apesar da alegria recorrente entre todos nós, familiares, amigos e estranhos, quanto ao seu fantástico nascimento, minha mente estava ocupada em cuidar de sua mãe, aturdida em carne abdominal machucada, após um parto cesariano necessário, pois, como é de conhecimento geral, seu cordão umbilical estava querendo tirar-lhe o ar, ainda intrauterinamente.  Após a internação na sexta-feira (08/09/2014), dormimos nós, eu, você feita em ansiedade e sua mãe. Somente uma correçãozinha, tentamos descansar, mas um misto de ans...

Diário de um pai ansioso: 37ª semana de gestação da Sophia.

Minha mãe sempre me dizia que mentir era feio, mas mesmo assim, eu permaneço mentindo descaradamente. Minto quando digo que não estou nervoso com o seu nascimento, minto mais ainda quando digo não temer se serei um bom pai e a mentira se torna ainda maior quando digo aos outros que estou preparado. Preparado eu diria se fosse fazer uma prova de concurso ou vestibular, a qual já expus meus conhecimentos inúmeras vezes, com vitórias e muitos fracassos, porém em relação a você, nossa filha Sophia, reitero minha incapacidade de ter certezas quanto a que tipo de pai serei. Como seu avô Antônio é meu padrão de pai, acho um ótimo começar por ele, depois eu vejo que espécie de pai posso ser, talvez com defeitos, chatices, mas sempre alguém que ama e cuida de quem ama.  É certo minha querida Sophia, que você está sendo ansiosamente esperada, é como se eu e sua mãe Giselen estivéssemos com um presente delicadamente embrulhado pelo período de nove longos meses. Cada dia, transmutado em s...

Pela escola que há em mim: Homenagem a Escola Marcello Cândia, subsede Bairro Marcos Freire e aos Formandos de 2004.

Acordo assustado, mamãe gritando no meu pé do ouvido: "Levanta menino, tu vai te atrasar pra escola... E chama aí tua irmã", como se com a voz estridente e ressonante, já não tivesse tirado minha irmã de seu sono sacro. Mesmo à contragosto, levanto a cabeça, porém o corpo desobedece a ordem originada de meus poucos neurônios ainda ativos. Insisto novamente nesse intento hercúleo, porém apesar das minhas "boas intenções", minha mãe interfere, serenamente, com sua voz que ecoa, algo semelhante a algum cântico monástico, repetido e mimetizado por mim, quando ela diz: "Olha eu tô só falando pra tu levantar, agora se eu for aí, eu te puxo dessa cama e te dou um banho, e tu vai pra escola de couro quente", penso que palavras podem doer tanto quanto a realidade.  Levanto e espero minha hora de ir banheiro. Entro naquele lugar úmido e de chão gélido. Escovo os dentes com os olhos fechados, cumpro somente o estrito das regras de higiene pessoal. Visto meu unif...

Segredo entre um pai e Sophia

Sophia, minha filha acorda do teu avô Antônio, peça que ele faça um café, que eu vou comprar pães e, enquanto isso, diga à sua mãe que frite os ovos, mexidos, está bem? Vá até sua mãe e peça moedas de saudades, veja se é possível comprar amor com moedas. Desconfio que não, mas vale a pena tentar. Olha mas não acorde sua avó Nilva, ela está cansada por demais, passou a noite inteira pensando na sua festa de boas vindas.  Depois Sophia caminhe até a cama, acorda sua tia Guidu e diga à ela que o sol já raiou e o que banho está à sua espreita, apenas aguardando o momento para a libertação da água no corpo. Em seguida pegue sua bicicleta, e pedale como uma menina louca, com "coidado" para não cair e se estrebuchar toda, siga minha orientação, porque dói muito joelho/asfalto/sangue, e pai que é pai, até fica chateado às vezes, mas sempre quer o bem dos filhos.  Pedale um pouco mais, depois mais, mais e mais, quando chegar no fim da rua dobre à direita no Síti...

Sophia, me ensine a aprender a escrever.

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Filha, filhinha, fecha a janela, esse vento forte e frio pode te deixar gripada. Pequena gotinha de vida, abro a janela do teu sonho e só o que vejo lá dentro é alegria e esperança, não há como esconder-se de mim, seu filho feito menino. Levante Sophia, me ajude, por gentileza, a andar sem medo de cair e peço que me ensine a aprender a escrever, preencher papéis, ainda os vejo todos em branco, umas histórias, talvez, por se escrever e outras tantas para se contar aos velhos amigos nunca esquecidos. Filhinha não me deixe passar calafrios e dores noturnas, dê-me um cobertor bem quentinho, se possível cor de rosa, seria-me mui agradável, dormir tranquilo e lembrar que amanhã o dia não tem fim. Não tem relógio que desperta, não tem sol que entra pela fresta da porta e não tem nem lua que faz gente dormir. Tem é sim aconchego, leite, choro, dor, soluços, e que por serem muitos não sabem eles rimar com cor. Espia só fia, cuide de mim por gentileza, porque quando eu for criança...

Espera

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No escuro do meu quarto penso que você, a qualquer hora noturna, vai bater à porta, e me dirá com um sorriso estridente: "Pai, cheguei! Bença pai!", e eu, balançando a cabeça da confirmação, direi apenas "Deus te abençoe minha filha". Minha filha? Como pode um pai querer ser o dono de sua filha? Isso não há de ser assim. É um paradoxo por de mais cansativo pensar essas coisas, gostaria mesmo era de somente beijá-la fraternalmente, e esperar que me dissesse, "Pai me ajuda no dever de casa?", a qual diante da minha paciência já tão conhecida, iria caminhar até a mesa de estudos e a ensinar a matemática que eu juro, juro, que fingirei saber resolver os tais problemas. Esperar nem sempre é tão chato, existem esperas boas e magníficas, como quando sua mãe Giselen, faz macarronada com beijo ou mesmo aquele pudim de paixão. A espera não se torna assim uma tortura com T maiúsculo, mas sim algo de uma doçura poética. Ah! Sophia como esses meses foram de apre...

A tarde que tive com Ivan Junqueira: Entre livros e chuva.

Era uma tarde a qual me lembro um tanto chuvosa, e eu sozinho caminhava até a livraria. Não sei agora de onde vinha e nem me recordo para onde, talvez, iria eu naquele dia qualquer. Obrigações forçadas sendo cumpridas, e um aperto no coração de, sei lá, não conseguir concluir às que ainda faltavam serem cumpridas. Ao entrar na loja fiquei encantando com tudo, os livros, as revistas com capas de mulheres nuas, os contos românticos, livros de história, enfim, as estantes abarrotadas de uma organização inesquecível, e sobretudo, invejável, ao que me pareceu instantaneamente ir de encontro com minhas aspirações humanas, tornar-me um não ser organizável. Caminhei, olhei os preços, apaixonei-me pelas capas com mulheres que eu nunca vou amar, conversei comigo, lembrei que tinha pouca dinheiro na carteira, olhei para a vendedora da loja e tornei-me a desconfiar de mim mesmo como um possível ladrão de livros. Enfastiado com a dor da pobreza, quis ser eu capitalista rico para comprar um bom liv...