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Dorme Sophia, Dorme Sophia...

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casa vazia, estrelas não existem mais lá. sólido, meu coração intenta latejar um respirar humano. não há sabedoria nisso. há, talvez, distância. há, quem sabe, um sonho infantil á dominar o rosto de Sophia. sabedoria de criança é não sentir saudades. dor de adulto é que nem dor de ouvido, latente, latente, latente. Deixa o espaço íngreme, não vejo mais ela, Sophia, correr pela casa. Sorrir e dar gargalhadas. Onde está Sophia, será que se foi para outra ilha? Especulo que não. Não deixaria ela aquela casa, antes tão vazia, sem antes se despedir de mim. Sorriso de vento, vai-se embora que nem dá para notar detalhes. Esquina, lá onde moram os queres. Lá onde repousam os passarinhos, os palhaços, as meninas cor de rosa. Sapietia infantilis. Taxonomias inventivas tão desnecessárias, chega até ser redundante. Sem lógica alguma, meus pensamentos se descolam do previsível e penso levantar-me da cama, olhar o berço e ver Sophia, dizendo: "pai, já acordou?". Não se pod...

Falso Haicai para Sophia.

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Quando Sophia nasceu, eu ainda era criança. Andava perambulando para cima e para baixo lá na rua Pirituba em uma casa de madeira pintada com cal na cor azul, era linda aquela casa. Ela, digo não a casa, mas Sophia, nem sabia que eu existia. Que tinha sabido de minha existência, não sei. Talvez sim, e talvez não. Deixa pra lá. Coisas de meninas. Não gosto de meninas, as acho muito chatas. Querem controlar nossas brincadeiras, não aguentam uma "dividida" no campinho de futebol. Se a gente não as deixam brincar, ficam bravas, e dizem que não vão nos deixar brincar de casinha com elas. Puros blefes sem sentido. Sei que não cumprirão tais promessas. E Sophia? Sophia nem andava por lá. Sophia ainda era superfície. Ainda era apenas mais uma ideia no vasto mundo da ideias platônicas. Essa menina toda vez que passa lá pela rua de casa, mas flor do que gente, inspira sorriso e molecagem, chama a gente pra brincar, depois fica mandando a gente sair da brincadeira, diz que a gente não s...

Banho de Memórias: Nasceu Sophia

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Querida Sophia, ora filha, mais tarde, bem mais tarde, também mãe, namorada, cortejada, protegida, etc, etc, já se passaram 40 dias de seu nascimento na Maternidade Regina Pacis e aguardo você aniversariar dia 09/10/2014 com seus longos 2 meses de vida. Reclamo-te que para minha surpresa, fui critica veementemente por sua mãe, por não ter escrito um mínimo texto sequer, em comemoração ao seu nascimento relembrado.  Peço-lhe desculpas pelo meu deslize, mas apesar da alegria recorrente entre todos nós, familiares, amigos e estranhos, quanto ao seu fantástico nascimento, minha mente estava ocupada em cuidar de sua mãe, aturdida em carne abdominal machucada, após um parto cesariano necessário, pois, como é de conhecimento geral, seu cordão umbilical estava querendo tirar-lhe o ar, ainda intrauterinamente.  Após a internação na sexta-feira (08/09/2014), dormimos nós, eu, você feita em ansiedade e sua mãe. Somente uma correçãozinha, tentamos descansar, mas um misto de ans...

Diário de um pai ansioso: 37ª semana de gestação da Sophia.

Minha mãe sempre me dizia que mentir era feio, mas mesmo assim, eu permaneço mentindo descaradamente. Minto quando digo que não estou nervoso com o seu nascimento, minto mais ainda quando digo não temer se serei um bom pai e a mentira se torna ainda maior quando digo aos outros que estou preparado. Preparado eu diria se fosse fazer uma prova de concurso ou vestibular, a qual já expus meus conhecimentos inúmeras vezes, com vitórias e muitos fracassos, porém em relação a você, nossa filha Sophia, reitero minha incapacidade de ter certezas quanto a que tipo de pai serei. Como seu avô Antônio é meu padrão de pai, acho um ótimo começar por ele, depois eu vejo que espécie de pai posso ser, talvez com defeitos, chatices, mas sempre alguém que ama e cuida de quem ama.  É certo minha querida Sophia, que você está sendo ansiosamente esperada, é como se eu e sua mãe Giselen estivéssemos com um presente delicadamente embrulhado pelo período de nove longos meses. Cada dia, transmutado em s...

Pela escola que há em mim: Homenagem a Escola Marcello Cândia, subsede Bairro Marcos Freire e aos Formandos de 2004.

Acordo assustado, mamãe gritando no meu pé do ouvido: "Levanta menino, tu vai te atrasar pra escola... E chama aí tua irmã", como se com a voz estridente e ressonante, já não tivesse tirado minha irmã de seu sono sacro. Mesmo à contragosto, levanto a cabeça, porém o corpo desobedece a ordem originada de meus poucos neurônios ainda ativos. Insisto novamente nesse intento hercúleo, porém apesar das minhas "boas intenções", minha mãe interfere, serenamente, com sua voz que ecoa, algo semelhante a algum cântico monástico, repetido e mimetizado por mim, quando ela diz: "Olha eu tô só falando pra tu levantar, agora se eu for aí, eu te puxo dessa cama e te dou um banho, e tu vai pra escola de couro quente", penso que palavras podem doer tanto quanto a realidade.  Levanto e espero minha hora de ir banheiro. Entro naquele lugar úmido e de chão gélido. Escovo os dentes com os olhos fechados, cumpro somente o estrito das regras de higiene pessoal. Visto meu unif...

Segredo entre um pai e Sophia

Sophia, minha filha acorda do teu avô Antônio, peça que ele faça um café, que eu vou comprar pães e, enquanto isso, diga à sua mãe que frite os ovos, mexidos, está bem? Vá até sua mãe e peça moedas de saudades, veja se é possível comprar amor com moedas. Desconfio que não, mas vale a pena tentar. Olha mas não acorde sua avó Nilva, ela está cansada por demais, passou a noite inteira pensando na sua festa de boas vindas.  Depois Sophia caminhe até a cama, acorda sua tia Guidu e diga à ela que o sol já raiou e o que banho está à sua espreita, apenas aguardando o momento para a libertação da água no corpo. Em seguida pegue sua bicicleta, e pedale como uma menina louca, com "coidado" para não cair e se estrebuchar toda, siga minha orientação, porque dói muito joelho/asfalto/sangue, e pai que é pai, até fica chateado às vezes, mas sempre quer o bem dos filhos.  Pedale um pouco mais, depois mais, mais e mais, quando chegar no fim da rua dobre à direita no Síti...

Sophia, me ensine a aprender a escrever.

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Filha, filhinha, fecha a janela, esse vento forte e frio pode te deixar gripada. Pequena gotinha de vida, abro a janela do teu sonho e só o que vejo lá dentro é alegria e esperança, não há como esconder-se de mim, seu filho feito menino. Levante Sophia, me ajude, por gentileza, a andar sem medo de cair e peço que me ensine a aprender a escrever, preencher papéis, ainda os vejo todos em branco, umas histórias, talvez, por se escrever e outras tantas para se contar aos velhos amigos nunca esquecidos. Filhinha não me deixe passar calafrios e dores noturnas, dê-me um cobertor bem quentinho, se possível cor de rosa, seria-me mui agradável, dormir tranquilo e lembrar que amanhã o dia não tem fim. Não tem relógio que desperta, não tem sol que entra pela fresta da porta e não tem nem lua que faz gente dormir. Tem é sim aconchego, leite, choro, dor, soluços, e que por serem muitos não sabem eles rimar com cor. Espia só fia, cuide de mim por gentileza, porque quando eu for criança...